quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Livro - Resenha #47 | PAPERBOY, Pete Dexter (NOVO CONCEITO)


Nome original: Paperboy
Autor: Pete Dexter
Editora: Novo Conceito
Páginas: 333
     

Charlotte Bless, uma mulher que tem o costume de conversar com presidiários por meio de cartas, acaba se apaixonando por um de seus correspondentes. Esse, chamado Hillary Van Wetter, está no corredor da morte, culpado por ter assassinado o xerife do pequeno condado de Moat.

O xerife possuía uma longa lista de assassinatos pelas suas mãos, embora não tivesse sido sequer repreendido por nenhum deles. Todos as vítimas eram negras, exceto a última, um homem branco da família dos Van Wetter. Não demorou muito para que o próprio xerife fosse morto depois disso.

Na história, a família Van Wetter é temida e mal vista por toda a cidade. Eles vivem dentro das florestas, além de pântanos, em lugares quase impossíveis de acessar. Sempre grosseiros, turrões e baderneiros, responsáveis por pequenos crimes e um histórico extenso de violência. Mexer com um é quase como mexer com todos, e é claro que todas as suspeitas do crime contra o xerife Thurmond Call caiu sobre eles. Após algumas provas mal revisadas, concluíram que o assassino era Hillary, um dos mais violentos da família, condizente com todas as características ruins da mesma.

Charlotte, certa de que seu amante e noivo não é culpado, pede ajuda de dois repórteres investigativos de Miami, Ward James e Yardley Acheman, para que provem o contrário e finalmente soltem Hillary. Assim, ela poderia concluir sua vontade de se casar com o amedrontador presidiário.

Ward e Yardley, então, se instalam temporariamente em Moat e começam a investigar o caso, o qual é muito confuso e se torna ainda mais difícil de ser solucionado quando as pessoas da própria cidade, envolvidas com o julgamento ou não, se recusam a contar ou ajudar de alguma forma os dois repórteres.


Ward é dono de uma calma fora do normal. Focado no trabalho, ele sempre mergulha de cabeça em suas investigações a ponto de ficar dias sem dormir, apenas tentando criar um padrão que se encaixe e o mostre a verdade sobre tudo. É ele que faz a apuração dos fatos e investiga cada um, montando seu quebra cabeça infalível pronto para que a história seja redigida e publicada; Yardley, por sua vez, é quem faz o texto. Completamente insuportável, o repórter é aquele tipo de personagem que te dá vontade de entrar na história só para matá-lo (eu juro que esperava ansiosamente algum momento em que qualquer um matasse ele, mas não aconteceu). Sempre minimizando todos os esforços de Ward, Yardley se acha melhor que todos em vários aspectos, mesmo que sozinho não consiga desvendar nem um terço do que Ward consegue.

O livro é narrado por Jack James, irmão de Ward que mora com o pai. Jack acabou sendo expulso da faculdade onde estudava e agora ajudava o pai, que era dono de um jornal local, completamente apaixonado pela profissão e é claro, orgulhoso de seu filho mais velho por ter seguido a carreira jornalística e ter se tornado um repórter do Miami Times. Jack acaba fazendo parte de toda investigação depois que seu irmão o chama para, basicamente, dirigir o carro para onde quer que os repórteres tivessem que ir para investigarem mais e descobrirem coisas sobre o caso de Wetter. Assim, a matéria necessária seria escrita e, possivelmente, tiraria Hillary da prisão.

Jack é muito observador, o que enriquece sua narração, e por sua vez, o livro em si. Mesmo tendo seus dezenove anos e os devaneios da idade, Jack consegue ser maduro o bastante para nos contar os acontecimentos que se seguem a cada momento da história com muitos detalhes e uma percepção diferenciada

Sobre a história em si, muitos amaram e elogiaram muito (como vocês podem ver, visitando outros sites de resenhas), mas para mim não funcionou da mesma forma. Eu gosto de histórias investigativas, mas a maior parte do livro eu senti que Pete ficava repetindo as mesmas coisas, tornando tudo chato de ser lido. Eram passagens e passagens de Charlotte visitando o escritório improvisado sempre perguntando as mesmas coisas, várias visitas à Hillary que não deram em basicamente nada e outras coisas que se repetiram muito. Sinceramente, eu só notei a história realmente tomando um rumo interessante depois da página 100. Para um livro de 333 páginas, demorou até que isso acontecesse.


Enfim, dessa parte em diante, mesmo que algumas passagens ainda me dessem uma preguicinha, a leitura foi bem mais agradável e até surpreendente. Logo depois que a matéria é publicada e eles voltam para Miami, senti mais uma vez a repetição agonizante, mas nada que me fizesse parar a leitura. Eu queria saber o que ia acontecer, mas essa coisa nunca acontecia, apenas se repetiam passagens de Yardley sendo ainda mais insuportavelmente ridículo. De certa forma, como já dito, continuei a ler, esperando que o que eu imaginava acontecesse.

De fato, o que eu queria não aconteceu e eu terminei o livro sem saber se gostei ou não do final. Foi realista, quero dizer, se você parar para pensar no mundo real o final dessa história poderia claramente ser esse, mas por outro lado eu senti falta que algo à favor de Ward acontecesse. Só depois da leitura, quando eu fui pesquisar um pouco sobre o livro e o autor que acabei por descobrir que o livro fora baseado em alguns fatos reais. Não preciso nem dizer que pirei sabendo disso.

Vale lembrar que o livro se passa na época de 60, então a perspectiva das coisas é um tanto quanto diferente da que temos hoje, embora não tanto. O livro aborda várias questões de homofobia (embora esteja seja apenas sugerida em alguns pontos), discriminação social, relacionamento familiar complicado, mas principalmente o racismo, de forma crua e verdadeira, o que nos dá um baque e tanto. A linguagem usada também não foi nem um pouco filtrada, contendo insinuação sexual, xingamentos, entre outros. O livro não tem definições, não tem um herói ou um vilão, e, como já citado, também não tem um final considerado justo, coisas que o tornam tão real e original.

O livro ainda nos revela os bastidores de uma investigação, assim como o mundo dentro dos jornais é, sem rodeios ou glamour. Todas as preocupações, irritações, problemas e descontentamentos que acontecem dentro de um jornal são retratados durante a leitura, mostrando-nos que nada é tão pacífico e bonito quanto pensamos que é.

A diagramação feita pela Novo Conceito foi boa. O livro não é dividido em capítulos, apenas com alguns quadradinhos separando uma parte de outra, essas que são bem breves, facilitando a leitura e deixando-a mais rápida. A capa é a mesma usada na adaptação cinematográfica, e de fato, eu não gostei, mas o que posso fazer? Não notei erros gramaticais ou de digitação na obra, o que prova mais uma vez o quanto a Novo Conceito é profissional na hora desse tipo de revisão (nunca acho erros nas obras deles).

Enfim, alguém já leu esse livro? O que acharam?

Por: Lauren

Nenhum comentário:

Postar um comentário

« »
© Razões Literárias - 2015. Todos os direitos reservados. Criado por: Lauren Yorres. Tecnologia do Blogger. imagem-logo