segunda-feira, 13 de julho de 2015

Livro - Resenha #23 - Saga Encantadas: Veneno, Sarah Pinborough (ÚNICA)


Título original: Poison
Autora: Sarah Pinborough
Editora: Única
Páginas: 224
Ano: 2013
Nota:


Veneno é mais uma das várias releituras de conto de fadas que conhecemos por aí, com a diferença de que não segue praticamente nada da história a qual conhecemos nos contos da Disney.

Nesse primeiro livro da Saga Encantadas o conto reescrito é o da Branca de Neve. Podemos deduzir olhando para a capa, a qual muitos acham linda e outros acham horrível. Eu, particularmente, não acho horrível, mas também não acho bonita. Poderiam ter caprichado um pouco mais, apesar de eu ter simplesmente adorado o desenho da letra V, em Veneno.


Bom, antes de tudo devo dizer que gosto muito de adaptações e releituras de Contos de Fadas. Por algum motivo, é legal reviver uma história antiga e já conhecida, mas de um ponto de vista diferente, onde nem tudo é o que pensamos. Veneno é assim. 

Seguindo um tipo de enredo parecido com o da série Once Upon a Time, onde algumas histórias dos Contos de Fadas cruzam-se e interligam-se, Veneno se mostra um livro envolvente do começo ao fim. A leitura flui fácil e, sinceramente, eu senti falta de mais páginas. Gostei bastante.

Sarah tem uma narrativa agradável e fácil de acompanhar, e a trama segue a cronologia normal dos acontecimentos no conto clássico de Branca de Neve, mas, é claro, com suas alterações e novas perspectivas.


O livro é narrado em terceira pessoa e, diferentemente do que vemos na maioria das releituras de contos de fadas, a protagonista é a Rainha Má, uma atraente jovem vinda de uma linhagem de bruxas. Seu nome é Lilith

A Rainha é triste, não gosta do rei com quem é casada, o qual só suporta porque assim pode ter uma vida agradável sem sofrer por sua magia. Apenas quatro anos mais nova que a enteada, ela tem raiva de Branca pela garota não se preocupar em arranjar um noivo quando já está na idade e, principalmente pela bondade e pela liberdade que a garota tem, a qual, aparentemente, Lilith nunca teve oportunidade de ter. Sendo assim, o maior desejo da Rainha é que Branca vá embora de qualquer forma e deixe o palácio. 

Enquanto avançamos na leitura é notável que, no entanto, a Rainha não tem o coração tão ruim. Nas vezes em que tenta fazer algo amigável, em busca de mostrar sua parte bondosa, de alguma forma esse algo dá errado e ela acaba passando ainda mais a imagem de uma mulher maldosa. Isso me fez sentir dó dela várias vezes no livro, embora suas escolhas, na maioria das vezes, fossem realmente dignas de um mal julgamento para com ela. Me deu a impressão de que Lilith luta para ser uma boa pessoa, mas sempre é "puxada" para o 'lado ruim da força'.


Branca é descrita no livro como "indomável". A garota adora andar a cavalo como um cavalheiro, além de sempre escolher um garanhão ao invés de um corcel manso para cavalgar. Branca também é dona de uma beleza infinita e adora a floresta, sendo muitas vezes citada como Filha da Natureza ou algo semelhante. Desde o começo percebemos que ela é boazinha e muitas vezes ingênua no que diz respeito ao caráter de alguém. Sempre acredita que há algo bom nas pessoas. Mesmo assim, é uma personagem forte.

Quando o Rei parte para uma guerra, Lilith fica no castelo e começa a mudar as coisas por lá. Dentre essas coisas, sua maior vontade é de fazer Branca de Neve sumir do castelo de um jeito ou de outro, e é aí que conhecemos o Caçador, o qual é instruído pela Rainha a conseguir o coração de Branca para ela, assim podendo voltar para casa quando acabasse. Obviamente sabemos que ele não o faz, mas como consequência acaba sofrendo uma magia da bisavó de Lilith (que é a bruxa da casa de doces, conhecida em João e Maria).


Além da bisavó de Lilith, também é citado no livro o Aladdin, outro personagem conhecido nos Contos de Fadas, embora aqui ele não seja tão gentil quanto no clássico.

O príncipe é completamente diferente nessa versão, no entanto os sete anões são bem fiéis, apesar de não citarem todos eles, mas sim dois em especial. Sonhador e Carrancudo, os quais são bem próximos de Branca.

O livro tem alguns pontos negativos também. Não é muito abordada a história da Rainha e nem porque tem tanta raiva de Branca. Os motivos apresentados são muito vagos para tamanha raiva e acredito que faltou conhecermos um pouco mais do passado de Lilith.


Outra coisa importante de se destacar é que o livro não é nada infantil. Isso não é um ponto negativo, pelo contrário. Eu gostei bastante dessa ideia de contar um clássico de forma mais adulta. Em Veneno há sim, cenas eróticas e elas não são nada leves. O livro também possui vários palavrões e diálogos com um pouco mais de malícia. Com certeza, uma versão bem mais adulta do clássico conhecido nas telas da Disney.

Todo novo capítulo do livro é na página direta, com arabescos na parte de cima e um desenho na página anterior. Eu amei a diagramação, achei que o tamanho da fonte está ótimo e os títulos dos capítulos tem tudo a ver com o que realmente acontece. Com certeza cada detalhe foi bem pensado.

O final do livro é bem surpreendente, sobretudo por causa do príncipe, que como já citei, é bem diferente do conto de fadas. Mal posso esperar para ler o segundo livro da série, intitulado Feitiço. Segundo o que vi, ele abordará a história da Cinderela e, assim como esse, terá outras histórias se mesclando na trama.

Beijos e até a próxima viagem!
Resenha por: Lauren
Fotos por: Lauren | Blog Estante Gigante


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