quinta-feira, 9 de julho de 2015

Livro - Resenha #22 - A Filha do Louco, Megan Shepherd (NOVO CONCEITO)


Autora: Megan Shepherd
Editora: Novo Conceito
Páginas: 416
Ano: 2014
Nota:


A Filha do Louco conta a história de Juliet Moreau, uma garota da alta sociedade que viu seu mundo desmoronar quando um escândalo veio à tona. Seu pai, o mais respeitado doutor de Londres, foi acusado de crimes sinistros envolvendo humanos e animais.

Seu pai foi dado como morto e, anos depois da morte de sua mãe, Juliet reconstruiu sua vida trabalhando como arrumadeira

O livro é bem parado no começo e me deixou bem desanimada. A leitura não flui nada fácil e a cada página você se pergunta o porquê daquela enrolação toda. Porém, para quem é teimoso como eu, tenho uma notícia boa: o livro não é inteiro assim.


Um pouco depois da metade, a trama começa a ficar um pouco mais intrigante, mostrando os pontos sombrios que esperávamos desde o começo quando lemos a sinopse, a qual, devo dizer, chama bastante atenção, sobretudo a quem curte leituras mais sombrias, misteriosas e psicóticas.

Na minha opinião, os personagens são bem difíceis de o leitor se identificar, mesmo a protagonista, Juliet. Na verdade, devo dizer que a figura feminina principal me decepcionou bastante, pois desde o início esperei uma personagem forte, decidida e astuta, mas me deparei com uma garota sonsa e bem perdida, apesar de inteligente.

Juliet é muito curiosa, mas me intrigou o fato de, mesmo assim, a garota não ter tentado procurar o pai logo depois do escândalo ou logo depois que a mãe morreu. Pelo que dá para tirar do livro, deram o pai da garota como morto, mas ela não o viu morto e nem houve de fato um funeral, ou seja, pelo menos uma ponta de curiosidade deveria ter acendido durante todos os anos que se passaram dado à personalidade curiosa da protagonista, no entanto, ela só veio a querer saber mais sobre o pai anos depois e por acaso.


A indecisão entre Montgomery e Edward foi outro ponto que me incomodou bastante em relação à personagem principal. Logo no começo do livro é bem nítido o quanto a garota é tímida em relação à garotos, o que é compreensível, até porque toda a sua trajetória e os costumes da época nos mostram que ela nunca teve contato com nenhum homem, no entanto isso é bem contradito quando ela se vê entre o seu antigo criado e amigo de infância recém reencontrado e o náufrago misterioso.

O triângulo amoroso entre Montgomery, Edward e Juliet é exageradamente forçado pela autora e a protagonista tem atitudes infantis e ridículas em relação aos dois. Ela nunca tem certeza de quem ama e, mesmo quando parece certa de que ama um, tem sensações fortes de atração para com o outro. Fica uma coisa meio "eu amo tanto fulano, mas quando fulaninho está perto de mim é como se meu corpo não respondesse aos meus atos". Isso me irritou muito e fez com que eu terminasse a leitura sem gostar da personagem principal.

Desde quando Edward apareceu pela primeira vez eu não gostei dele e isso não mudou muito até o final do livro, embora seja nítido que ele amava Juliet e queria protegê-la acima de tudo. Já Montgomery me encantou desde o começo, embora, como eu já disse anteriormente, seja difícil se identificar com qualquer personagem durante o enredo.


Quanto ao pai de Juliet devo admitir que tinha esperanças de todo aquele papo de ele ser um completo louco não fosse totalmente verdade e que sua personalidade desse raízes para uma mente mal compreendida pela época, no entanto completamente enigmática e cheia de filosofias próprias e inteligentes, mas estava errada. O Dr. Moreau inclusive pode ser considerado o personagem mais transparente de toda a trama: um homem com uma mente genialmente distorcida pelo egoísmo.

No final parece que a autora teve um gás de inspiração e conseguiu se achar na escrita. Megan jogou várias informações incrivelmente surpreendentes que me deixaram de boca aberta, combinado com um bom ritmo dos acontecimentos e, por mais que o livro em si tenha me irritado um bocado, estou louca para ler o segundo, que ainda não foi lançado aqui no Brasil.

Pesquisando sobre o livro e a autora eu descobri que a trama inteira é baseada num clássico chamado "A Ilha do Dr. Moreau", de H. G. Wells, o qual eu ainda não tive a oportunidade de ler, então não sei dizer o quanto a história de Megan Shepherd remete à obra original, além do nome do doutor, é claro.

Enfim, posso dizer que não foi uma leitura inteiramente agradável, mas a história em si é bem intrigante e diferente. O segundo livro não tem data de lançamento, mas mal posso esperar para ler.

Beijos e até a próxima viagem!

Resenha por: Lauren
Fotos por: Lauren | Blog Estante Gigante

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