sexta-feira, 29 de maio de 2015

Livro - Resenha #13 - O Lado Bom da Vida, Matthew Quick (INTRÍNSECA)


Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas:
Ano: 2008
Nota:


O Lado Bom da Vida conta a história de Pat Peoples, um homem de 34 anos que acabou de sair de uma clínica psiquiatra a qual ele chama de "lugar ruim".

Pat não lembra o que fez para parar lá, apenas acredita que está a alguns meses ali e que ele não era um homem bom para sua mulher, Nikki, a qual havia pedido para ele um "tempo separados".

Com a ideia de que Nikki não quer falar com ele por enquanto, Pat procura melhorar por ela. Ele enxerga as coisas que ela não gostava nele e faz de tudo para mudar, começando com treinos para ficar em forma, trabalhando seu lado gentil ao invés de sempre querer ter razão e, quando finalmente sua mãe consegue tirá-lo da clínica, lendo os livros de romance que Nikki gostava e ensinava para seus alunos de Inglês.


De volta ao "mundo real", Pat tem que lidar com várias situações estranhas. Entre elas, seu pai, que não quer falar com ele de jeito nenhum e o ignora;  a falta que Nikki faz e o fato de todos parecerem odiá-la; os antigos e os novos amigos; as mudanças que aconteceram enquanto ele estava no lugar ruim e a forma como ele tem que se readaptar à sua vida enquanto se recupera de algo que ele não se lembra.

Podem me chamar de manteiga derretida, mas eu chorei várias vezes nesse livro, embora, eu juro, não tenha nenhuma parte que seja tão triste para chorar.


Pat Peoples é um personagem completamente apaixonante desde o começo. Eu amei ele logo de cara. Ele não tem ideia de como foi parar numa clínica psiquiatra, mas na maior parte do tempo ele não se importa com isso. A única coisa que ele realmente se importa é com Nikki e em como as mudanças que ele está fazendo nele mesmo vão deixá-la feliz e satisfeita. Ele não sabe exatamente o porque da esposa não querer vê-lo ou falar com ele, assim como não entende porque seus pais vivem brigando por sua causa e porque todos à sua volta não falam nada sobre as coisas que aconteceram enquanto ele estava em tratamento no "lugar ruim", mas é sempre otimista em tudo.

Apesar de alguns pequenos surtos e dos lapsos de memória, Pat quer mais do que tudo recuperar sua antiga vida. Ele acredita fielmente e irrevogavelmente em finais felizes. A inocência do personagem também é algo encantador, embora tenha me deixado um pouco irritada durante o enredo. Ele acha que as pessoas estão completamente erradas em não acreditar que tudo vai dar certo no final e leva sua própria vida como um filme, onde coisas ruins aconteceram e se complicaram, mas no clímax algo brilhante acontecerá e ele vai ter o seu final fantástico ao lado de sua ex-mulher, sua família e seus amigos, embora tudo se complique bastante no caminho.


O livro é muito bonito e, apesar de tudo, bem humorado. É legal ver a mudança de Pat, a forma como ele se policia para fazer as coisas certas e em como fica triste quando faz algo por impulso que não lhe parece certo.

Como eu já disse antes, Pat e sua forma de ver as coisas são apaixonantes. Ele tem um ótimo coração, é carismático e faz tudo para ajudar. Os outros amigos e familiares de Pat, apesar de fazerem parte e diferença nas suas mudanças, ficam em segundo plano na maior parte do tempo, a não ser por Tiffany, uma das 'novas amigas' de dele.

Ela é tão esquisita quanto o próprio Pat, sarcástica, quase sempre muito quieta e até manipuladora, mas com o tempo você percebe que tem um bom coração. Para ser sincera, eu não gostei dela na maior parte do livro, mas, no final ela me conquistou, mesmo fazendo algumas burradas.


Outra personagem que aparece um pouco mais e nos emociona muito durante a leitura é a mãe de Pat. A forma como ela luta pelo filho e confia nele, indo contra a vontade de seu marido e protegendo Pat de tudo é muito tocante. É indescritível como o autor conseguiu retratar com perfeição a relação de amor incondicional de uma mãe para um filho. Quick está de parabéns!

Lemos o livro do ponto de vista de Pat, então enquanto ele não descobre as coisas sobre a sua vida, nós também não, embora tenhamos uma ideia maior do todo. A narrativa dele funciona como um diário, onde ele conta as coisas que acontecem no dia de acordo com a sua rotina, seus sentimentos e tudo mais. É como se estivéssemos dentro da cabeça dele, vendo como ele pensa. Esse é o ponto alto do livro, o que o torna diferente de vários outros.

Apesar disso, o livro não é tão surpreendente, sobretudo para os que já assistiram o filme. Eu ainda não vi, então fiquei um pouquinho surpresa sobre o final na questão amorosa de Pat, mas nada que eu já não tivesse desconfiado.


Sobre a escrita do autor Matthew Quick, eu achei muito boa. Muitos disseram que é repetitiva, mas se você levar em consideração que o personagem que narra tem uma certa deficiência, podemos dizer que foi maravilhosa, já que ele realmente conseguiu transmitir a ingenuidade, a insegurança e, em algumas partes, a aflição de Pat por não se lembrar de muita coisa importante. Eu achei que Quick conseguiu colocar o leitor dentro da história, literalmente. É como se tudo fosse real e realmente estivéssemos na cabeça de Pat, vendo tudo o que se passa ao seu redor e como ele se sente sobre cada coisa.

No geral, eu gostei muito do livro. O leitor leva consigo várias lições importantes ao lê-lo. É realmente empolgante e emocionante ver o mundo de acordo com o pensamento sempre otimista que aprendemos com Pat Peoples. O Lado Bom da Vida não foi o melhor livro que eu li, nem o mais empolgante, nem o mais bem escrito. Ele foi simples e essa simplicidade é completamente encantadora, quase mágica. Eu, com toda a certeza do mundo, recomendo!


OBS: Essa é a primeira vez na minha vida que eu gosto de uma capa com personagens do filme. Eu amei a disposição das coisas, o que está escrito, os detalhes dos olhos coloridos e dos desenhos, até mesmo o fato de ser tudo preto e branco com detalhes num amarelo vivo, tudo! Muitos reclamaram da faixa preta no meio, mas é ela que dá o toque legal, ainda mais porque os desenhos (sobre futebol americano) tem tudo a ver com o livro.

RECOMENDAMOS À:
Aos fãs dos livros de John Green e David Levithan pela escrita simples e ao mesmo tempo mágica e, é claro, pelas histórias lindas e cheias de reflexões. Aposto que vocês vão gostar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

« »
© Razões Literárias - 2015. Todos os direitos reservados. Criado por: Lauren Yorres. Tecnologia do Blogger. imagem-logo