segunda-feira, 27 de abril de 2015

Livro - Resenha #08 - Bento, André Vianco (NOVO SÉCULO)


Autor: André Vianco
Editora: Novo Século
Páginas: 534
Ano: 2008
Nota:


E hoje vamos de autor NACIONAL! Quem aí conhece o André Vianco? Se não, já está bem na hora de começar.

Eu ganhei a trilogia de uma tia minha, bem na época de Crepúsculo e, como eu não era familiarizada com vampiros, achei que não iria gostar do livro, mas, diferentemente do que eu pensava, foi exatamente ele que abriu meus olhos para a literatura vampiresca!

Eu não conhecia o autor, sequer sabia que era tão bom nesse tipo de literatura e eu era mais nova. Para vocês terem uma noção eu demorei para começar a ler os livros pelo simples fato de ter medo (sim, medo) da capa do livro e da arte do Box onde veio a trilogia. Desde muito nova eu gosto de ler, por isso sei que na época eu não teria tido dificuldades de ler o livro e entendê-lo e é exatamente por esse motivo que eu me arrependo de não ter começado a ler logo que ganhei.

Enfim, aconteceu assim porque tinha que acontecer. Eu tenho as capas velhas da trilogia, mas eles renovaram e na nova edição a capa é bem mais bonita, mesmo que as primeiras tenham sido bem interessantes. Olha como ficou a de Bento!
 A antiga edição é a da esquerda e a nova, a da direita.

Começamos o livro dentro de um quarto de hospital acompanhados de Lucas, o protagonista da trilogia. Ele não sabe de nada do que está acontecendo e muito menos nós. Conhecemos o mundo do livro junto com o protagonista e isso é algo que chama atenção, além de dar um entendimento maior ao leitor. Se o protagonista está perdido, nós estamos perdidos, se ele está entendo o que se passa na história, nós também entendemos e assim ninguém boia no enredo ou desiste de ler. Eu acho essa uma ótima estratégia, principalmente porque o livro em si é muito complexo e fica difícil de entender se não for devidamente bem explicado. Se bem escrita e desenvolvida, essa estratégia não deixa nada passar e assim podemos ter um grande entendimento de tudo, e foi exatamente isso que André Vianco fez no livro.

A história se passa numa Era pós apocalíptica onde o Mundo todo foi dominado por um tipo de doença misteriosa. Em uma noite como todas as outras, alguns dormiram e não acordaram mais, outros adquiriram uma sensibilidade terrível ao sol e uma sede inconcutível de sangue e os pouquíssimos que restaram seguiram normalmente. Eles não haviam sido acometidos por nenhuma doença. Para eles tudo continuava normal, exceto pelo fato de não existir mais nenhum tipo de comunicação (rádio, tv, internet); de não haver formas de adquirir outras doenças, nem mesmo um mísero resfriado; de que as mulheres, todas, sem nenhuma exceção, serem estéreis; de não haver poluição ou gases que afetam a natureza e, principalmente, de haver vampiros a solta por aí apenas esperando o sol se pôr para saírem a procura de sangue fresco. Tudo o que essas pessoas poderiam fazer era construírem fortalezas para os sobreviventes e proteger os que ainda dormiam seu sono profundo sem saber se acordariam normais, vampiros ou como salvadores, chamados de Bentos.
- Naquela época vocês costumavam assistir o quê? Com um prato de lasanha preparado no microondas, os olhos grudados na TV… você deve ter assistido o Ratinho… a Grande Família… uma novela da Glória Perez. — jogou, erguendo os ombros. — Todo mundo gostava dessas coisas. Perdiam horas na frente da TV Se fosse uma quarta-feira, talvez, vocês estivessem vendo um dos jogos do torneio Rio – São Paulo. Que time você torce? — perguntou o médico, num tom retórico, olhando para a parede ao lado, sem olhar nos olhos de Lucas, divagando, dando continuidade às descrições — Aí veio o sono. Dia cansativo. Colocou o prato na pia. Tomou água. Escovou os dentes. Foi para a cama e dormiu.
Dormiu como nunca havia dormido antes. Veio a Noite Maldita e te apanhou no meio do sono. O evento. À noite em que o mundo mudou. Muita gente desapareceu. Famílias se desfizeram e vocês, adormecidos sortudos, foram poupados. Não viram o desespero quando, após a Noite Maldita, Deus deixou nossa terra e libertou as feras da noite. Os malditos. Os noturnos. Todos sofremos, criatura. Todos. Mas, inexplicavelmente, vocês foram poupados.
Dormiam enquanto nós reconstruíamos o mundo…
O livro se passa aqui no Brasil e isso é o máximo! Quero dizer, estamos acostumados a ler histórias onde descrevem Milão, Paris, diversos lugares dos Estados Unidos, mas porque não uma que se passa bem aqui? Onde mais conhecemos? Tudo bem, o nosso Brasil não está exatamente como conhecemos. Na verdade, está bastante mudado, mas é bem mais fácil imaginar as passagens ao ler “às margens do Rio Tietê” ou qualquer outro lugar conhecido do Brasil.


Bom, mas voltando ao nosso protagonista Lucas. Ele acorda em um hospital de São Vítor, uma das muitas fortalezas espalhadas por todo o Mundo, e antes que seja solto na “sociedade”, são feitos alguns testes com ele. Ele não está infectado, e a partir daí, começa a sua busca em saber quem ele é e qual é o seu destino nessa terra nova e tão diferente da que ele estava acostumado.


Com uma narrativa bem expressiva e envolvente, Vianco nos prende do começo ao fim nesse mundo tão familiar e ao mesmo tempo tão diferente do que já vimos ou conhecemos. Eu juro para vocês que cheguei a ficar com falta de ar em algumas cenas. Talvez seja porque eu não consigo simplesmente ler um livro. Sempre me embalo e me abalo com tudo e todos na história. A leitura é dinâmica e sensacional.

A história toda tem muita ação, mistérios e enigmas que só te fazem ler por horas e horas sem perceber. É muito bem escrita e também muito emocionante. Com certeza, um dos melhores livros nacionais da literatura atual que eu já li. Recomendo muito!

RECOMENDAMOS À:
Todo louco por livros tão realistas quanto fantasiosos ao mesmo tempo!

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