segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Livro - Resenha #01 - A Menina que Roubava Livros, Markus Zusak (INTRÍNSECA)

Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Páginas: 480
Ano: 2007
Nota:

"Quando a Morte conta uma história, você deve parar para ler."


A Menina Que Roubava Livros é um daqueles livros difíceis de se descrever, de fazer uma resenha a altura, mas posso começar dizendo que é um dos melhores livros que já li.

Neste livro, Makus Zusak nos leva à época da Alemanha nazista - antes e durante a Segunda Guerra Mundial, com uma personagem um tanto inusitada para narrar sua obra: a Morte.

Mas se você acha que isso torna a história macabra e sombria, está bem enganado. Nossa narradora tem um senso de humor notável, por mais que a estória que esteja narrando seja em maior parte, triste.

Além disso, o fato da Morte narrar nos dá uma profundidade maior a qual não teríamos se algum personagem vivo a narrasse, assim podemos entender melhor as cenas e ainda contar com sua opinião sobre os acontecimentos ao longo da estória. Poxa, ele (ou ela) é uma entidade imortal que vaga por aqui desde que o Mundo é Mundo, com todo esse tempo de experiência, quem somos nós para dizer que o ponto de vista dela (ou dele) está errado? O espectro já viu tanta coisa que é difícil acreditar sim, que esteja errado, aliás, por ser a Morte, o leitor tem um pouco de respeito (ou só medo mesmo) pela entidade que leva vários dos personagens ao além.

"Foi um ano para ficar na história, como 79 ou 1346, para citar alguns. Esqueça a foice, diabos, eu precisava era de uma vassoura ou um rodo. Eu precisava de férias."

A Morte então, conta a estória de Liesel Meminger, uma menina pobre que está a caminho de um lar adotivo junto com seu irmão mais novo. O garotinho acaba morrendo no caminho e Liesel, junto com sua mãe, param em uma cidade no caminho para enterrar o pequeno. Ainda em choque pela morte sem motivos do irmão, Liesel leva consigo uma lembrança daquele momento, e o que mais poderia ser do que um livro? No enterro do garoto, um coveiro jovem deixa um pequeno livro de capa preta cair na neve e ela o pega, mesmo sem saber ler. Esse seria o primeiro de uma série de roubos.

Os pais adotivos de Liesel são Rosa e Hans Hubermann (Hansi). Rosa é rigorosa e nervosa, gosta de xingar Liesel e dar-lhe repreensões físicas, mas é uma boa mulher e ama a menina. Já Hans é um acordeonista e pintor silencioso e amoroso. Ele está sempre ao lado de Liesel, ajudando-a no começo com seus pesadelos constantes, posteriormente na alfabetização da menina e em muitos outros momentos delicados da vida da garota.

"Erros, erros, às vezes parece que isso é tudo de que sou capaz."

Os roubos vão acontecendo suaves e oportunos. Não me lembro se no livro diz a quantidade exata de roubos, mas certamente mostra o quanto cada um deles significava para Liesel. Cada livro era como um tesouro para a garota.

O livro ainda descreve a dificuldade de Liesel em viver naquela época e naquelas condições, retratando contextos históricos sobre a ditadura de Hitler, o rigor do alemão nazista, a perseguição com judeus e comunistas, as guerras, o perigo de expressar suas opiniões na época, a pobreza que ela e muitos dos seus amigos, sobretudo Rudy Steiner, seu melhor amigo e amor infantil, passaram e mesmo assim, a Morte narra tudo isso de uma forma natural, envolvente e emocionante.

Vale lembrar que os roubos de Liesel não se detiveram apenas em livros, apesar de eles serem sua vítima principal. Junto com Rudy e, em certa parte do livro, um grupo de garotos que também sofriam com a falta de comida, Liesel rouba alimentos de algumas fazendas.


Eu considero o livro, de certa forma, poético e delicioso de ler. Ao contrário do que se espera, a linguagem é simples, quase que do dia-a-dia. A rebusca vem no sentimento que ela carrega. O livro te faz pensar em várias coisas, meditar sobre a sua vida e ainda sobre coisas que aconteceram naquela época. A tristeza ali se torna algo normal e ao se colocar no lugar de Liesel ou qualquer um dos outros personagens você acaba entendendo seus pensamentos, e, porque não entendendo melhor sobre essa parte da matéria de História?


RECOMENDAMOS À:

Recomendamos esse livro para os que gostam de uma história mais bem estruturada, que te faz refletir sobre o assunto abordado, principalmente para os que gostam da matéria História. A leitura tende a ser um pouco difícil para quem não entende a parte da matéria que é retratada no livro (Alemanha Nazista, Hitler e Segunda Guerra Mundial).

De qualquer forma, se você não curte História, dormiu tanto nas aulas dessa matéria que nem sabe o nome do professor e ainda sim se interessou pelo livro, basta uma simples lida nesses assuntos no Wikipédia. Apesar de o livro acontecer nesse período histórico, os acontecimentos são muito fáceis de entender. Se você já conhece bastante, a leitura só se mostra mais eletrizante. (Rimamos!)

De maneira geral, o livro é triste, simples e previsível. Em muitos momentos você já sabe exatamente quem vai morrer e quando, o que vai acontecer e como, mas incrivelmente isso não deixa o livro chato e não te faz querer abandonar. A sensação de ler a cena é a mesma da que se você não tivesse previsto.


A quem se interessar, desejamos uma boa leitura!


Resenha por: Lauren

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